23/01/2014 COMEÇA A OPERAR NOVO DISTRITO DO BRASIL CENTRAL

Segundo a Abal (Associação Brasileira do Alumínio), o Brasil dispõe da terceira maior reserva mineral de bauxita do mundo; é o quarto maior produtor mundial do minério (atrás da Austrália, China e Indonésia); é o terceiro produtor de alumina (atrás de China e Austrália); e o oitavo maior produtor global de alumínio primário (precedido pela China, Rússia, Canadá, Estados Unidos, Austrália, Emirados Árabes e Índia, em ordem de grandeza).

Apesar de se encontrar muito bem estruturada, a cadeia produtiva do alumínio no Brasil depara-se, agora, com a aproximação da exaustão das reservas minerais de bauxita de seu distrito mineral mais importante – Poços de Caldas, em Minas Gerais, estimada em 35 milhões de toneladas, com teor médio de alumina de 46,4% e considerada privilegiada não apenas em termos de qualidade in situ, mas pela logística disponível, já que está próxima aos principais centros transformadores do metal – a solução aponta em outras direções, outros campos, literalmente.

Em razão disso, são promissoras as descoberta e exploração de dois novos distritos desse mineral minério, prontamente incorporados ao portfólio brasileiro. Um na região sul da Bahia, entre os municípios de Jaguaquara, Jequié e Ipiaú, estudado a fundo pela Rio Tinto Alcan; e o outro, a mais recente inclusão, relacionada às jazidas de Barro Alto e Santa Rita do Novo Destino, região centro-norte de Goiás, a cargo da Mineradora Santo Expedito (MSE).

O projeto desenhado pela Rio Tinto Alcan para o futuro próximo é, de fato, gigantesco. Inclui uma reserva estimativa (preliminarmente) em 500 milhões de toneladas (de minério lavado), com teores entre 25%/55% de alumina total aproveitável, com presença de sílica reativa entre 1%/7%. O projeto, em fase de estudos, prevê uma operação para lavra do minério e instalação de uma refinaria de alumina com capacidade nominal para produzir até 1,8 milhão de toneladas/ano de óxido de alumínio, com investimento total da ordem de R$ 4,5 bilhões.

Já o projeto da Mineração Santo Expedito é bem mais modesto. A reserva local comercialmente lavrável gira em torno de 80 milhões de toneladas, com um minério de teor médio de alumina aproveitável acima de 55% e presença de sílica reativa com teores abaixo de 3,8% e os investimentos totais necessários não superam sequer a casa dos US$ 25 milhões. Dois aspectos importantes destacam-se em relação a esses novos distritos nacionais de bauxita. Primeiro, suas localizações privilegiadas e a farta e completa infraestrutura e logística disponíveis – vários modais de transporte, intenso e regular fornecimento de energia elétrica, grande disponibilidade de mão de obra qualificada nas duas regiões, proximidade com mercados transformadores e de consumo final dos produtos e excelentes perspectivas para instalação de futuros projetos para agregação de valor ao minério bruto. Segundo, os volumes das duas reservas e a qualidade dos minérios in situ, sendo que no caso de Barro Alto/Santa Rita do Novo Destino, além do elevado teor de Al2O3 (óxido de alumínio, ou alumina), o minério é aflorante, dispensa lavagem final para retirada de argila, aponta reduzida presença de sílica reativa e apresenta a possibilidade de usos finais variados (entre a produção tradicional de alumínio primário a emprego na indústria de refratários, ou indústria de abrasivos)

(FONTE: Edição 336 da revista Brasil Mineral)