05/05/2017 Geopark Bodoquena-Pantanal

Geoparque é uma marca atribuída pela UNESCO a uma área onde ocorrem excepcionalidades geológicas que são protegidas e aproveitadas como elementos indutores de educação ambiental e de desenvolvimento sustentável. Um Geoparque deve ter limites bem definidos; envolver uma área suficientemente grande para possibilitar o desenvolvimento sustentável; abarcar um determinado número de sítios geológicos de especial importância científica, raridade ou beleza e deve ter um papel ativo no processo de educação ambiental e, através do geoturismo, no desenvolvimento econômico. Aspectos arqueológicos, ecológicos, históricos e culturais, também são componentes importantes. É, portanto, um conceito totalmente diferente dos Parques do Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC, uma vez que pressupõe o desenvolvimento sustentável, não envolve indenizações, não proíbe o uso e ocupação, mas tem por objetivo discipliná-los de forma a preservar o patrimônio geológico e, através do geoturismo e ecoturismo, ser um indutor de educação ambiental e de desenvolvimento sustentável.

 

  • GEOPARK BODOQUENA PANTANAL

O Geopark Bodoquena-Pantanal localiza-se na região centro oeste do Brasil, no Estado do Mato Grosso do Sul. Possui uma área de 39 000 km2, 400 mil habitantes e inclui os municípios de Anastácio, Aquidauana, Bela Vista, Bodoquena, Bonito, Caracol, Corumbá, Guia Lopes da Laguna, Jardim, Ladário, Miranda, Nioaque e Porto Murtinho (Figura 1). O Geopark abrange a serra de Bodoquena até Corumbá, incluindo áreas do Pantanal do Jacadigo-Nabileque, Maciço Urucum (cuja silhueta inspirou o logo do Geopark) e uma parte da Serra de Maracaju.

Decreto Estadual n.º 12.897 de 2009 inventariados 54 geossítios de interesse geomorfológico, tectônico, estratigráfico, sedimentológico, paleontológico, espeleológico, mineralógico e hidrogeológico que revelam a importante Geodiversidade do território tendo sido decretado pelo Governo como uma oportunidade de desenvolvimento sustentável regional.

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 Figura 1: Demarcação da área do Geopark Bodoquena-Pantanal

 

Trata-se de um projeto de desenvolvimento sustentável baseado no Patrimônio Geológico, cujo objetivo é o reconhecimento perante a Rede Global de Geoparques, sob os auspícios da UNESCO.

O Geopark Boboquena-Pantanal apresenta um embasamento geológico do Paleoproterozóico (cerca de 2 bilhões de anos) num registro que chega até à atualidade (Figura 2).

 

Destacam-se importantes registros da evolução da vida no nosso planeta, com vestígios de Cloudina e Corumbella werneri do Bioata de Ediacara, dois dos primeiros metazoários a produzir uma carapaça que serviria de proteção contra predadores e contra as ondas do mar e correntes marinhas, testemunhando a evolução da vida de formas microbianas para seres mais complexos. Do Neoproterozóico registram-se ainda fósseis de estromatólitos.

 

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Figura 2: Mapa Geológico da área do Geopark Bodoquena-Pantanal

 

A Faixa de Dobramentos do Paraguai testemunha a evolução tectno-estratigráfica e paleoambiental do continente sul-americano, com  evidências de todo o Ciclo de Wilson na transição Neoproterozóico-Cambriano.

O relevo cárstico da serra da Bodoquena destaca-se pelas cavernas, dolinas, abismos e tufas calcárias com fósseis.

Ao nível hidrogeológico, o do Aquífero Guarani é a maior reserva subterrânea de água doce do mundo, ocupando 213 200 km² no Estado do Mato Grosso do Sul, num total de 1,2 milhões de km2, considerando-se que esta reserva subterrânea poderá fornecer água potável ao mundo por duzentos anos.

A Bacia do Pantanal encontra-se atualmente ainda em subsidência e apresenta um complexo sistema hídrico que contribui para que seja um dos mais importantes e mais frágeis ecossistemas do mundo.

A área delimitada pelo Geoparque Bodoquena-Pantanal abrange, tanto áreas públicas como privadas com diversos tipos de atividades socioeconômicas, como agricultura, pecuária e mineração, desde que estas tenham locais de interesse geológico e paleontológico. Nessas áreas são estabelecidos roteiros de visitação, os quais têm por base proporcionar ao visitante o entendimento da evolução geológica da região, por isso o prefixo “geo” dessa nova modalidade de valorização e proteção do patrimônio, criada pela UNESCO. A criação de um geoparque, portanto, não interfere nas atividades econômicas de uma região, que ao serem estabelecidos roteiros de visitação com localidades que, até o momento, não apresentam interesse turístico, amplia-se o leque de possibilidades turísticas no estado.

Deve-se atentar a respeito da importância das ações do Geoparque, como sendo atividades de reconhecimento cultural e que sempre agregarão valor a geodiversidade, a biodiversidade e a rica paisagem cultural. Ressalta-se que a Biodiversidade, já é a expressão de maior valor e de agregação turístico-cultural dos núcleos da Serra da Bodoquena e da região histórica de Corumbá.

 

 

FONTES:

http://www.geoparkbodoquenapantanal.ms.gov.br/?page_id=67

 

http://www.geoparkbodoquenapantanal.ms.gov.br/?page_id=400